Antes de começarmos efetivamente, três coisas devem ser observadas:
- Task Killers são praticamente irrelevantes a partir do Android 2.2 (Froyo). Em e-mail enviado para lista de discussão AndroidBrasil, Edgard Castro – autor do ShadowMOD-BR – explica que: “Voce não consegue matar outros processos, a não ser que o task killer esteja rodando como root. Cada aplicação instalada recebe um user ID diferente no Android, e como em todo Unix, um userID nao pode intereferir no processo do outro. Por isso que “nao é possivel matar outras aplicações”. (…) Android 2.2, quis dizer.
Nos anteriores, todas aplicações são instaladas sobre um mesmo ID.” - Mesmo que você tenha um dispositivo com Android 2.2 ou superior, não deixe de ler todo o conteúdo do post para difundir este conhecimento entre outro usuários de Android. Só com isto já podemos ajudar a fazer do Android um pouco melhor, na verdade, não vamos deixar que o estraguem..
- Esse post é totalmente baseado em documento criado por Rodrigo Zaratin (@rzaratin) e Erick Petrucelli (@erickpetru). Eles são duas referências em Android no Brasil, não deixe de seguí-los no Twitter. Para ler o texto original, clique aqui.
Pois bem, iniciemos com uma explicação bem direta: o Android não é Windows Mobile ou Symbian.
O Android é um sistema operacional baseado em Linux, com um gerenciamento de memória nativo muito bom e funcional.
Vejamos agora um pouco mais de detalhamento desta explicação: um grande mito existente é que, quanto mais memória livre, melhor está o sistema. Este conceito é errado pois, quanto mais memória livre, você terá… mais memória livre. Só isso. Ou seja, você não está aproveitando todos os recursos do seu dispositivo.
Ao deixar muita memória livre: você está deixando de utilizar uma parte do seu hardware que está lá para isso. Tendo esses pontos expostos, utilizar a memória é algo que deve ser feito. Se a memória tivesse que ficar livre, não precisaríamos ter memória no aparelho.
Neste momento você pode estar se questionando: claro, mas se cada aplicação usa um pouco de memória, vou deixar a memória ficar toda ocupada quando abro umas 10 aplicações?
Você não vai precisar deixar ou não, quem vai fazer isso é o sistema operacional. Todo usuário do Android deve deixar o próprio Android fazer esse gerenciamento.
O que o Android faz?
Cada aplicação que você executa ocupa um pouco de memória. Quando você aperta Home e abre outra aplicação, a anterior continua executando. Ainda bem, por isso temos um sistema operacional totalmente multi-tarefa, que permite navegar na Internet enquanto a música toca, um SMS chega, um download no Market é feito enquanto aquele seu .doc ainda está aberto pois você não acabou de editá-lo.
Claro que todas elas vão ocupando memória. Mas de tempos em tempos, o próprio Android dá uma olhada em quais aplicações já estão a algum tempo sem uso, e retira elas da memória. Isso também ocorre se uma nova app precisar de muita memória ao abrir e esta memória estiver ocupada. Ou seja, de uma forma ou de outra a memória estará livre para as novas apps que você abrir.
Esse processo é mais complexo que esta explicação resumida. O Android trata a memória de maneira muito precisa e otimizada. Não fica verificando de tempos em tempos e gastando processador atoa para isso. Ele realmente deixa a memória o tanto que ela precisa estar limpa sem afetar o uso de processador. Supomos que não convém falar a fundo como todas as rotinas ocorrem, mas vale lembrar que o Android é open source e quem estiver muito interessado em entender todo o processo pode se aprofundar no assunto usando os próprios fontes do sistema operacional como ferramenta de aprendizado.
O que os Task Killers fazem?
De maneira geral, essas aplicações forçam a retirada da memória das aplicações que não estão mais em execução. Mas não é justamente isso que o Android faz? Sim, mas o Android faz por conta própria com critérios pré-definidos. Já as aplicações que forçam isso costumam ficar continuamente “matando” processos que não estão visíveis ao usuário. Ou seja, você deixou aquele documento aberto no Documents To Go enquanto olhava um site no Navegador. O seu Task Killer vai “matar” o Documents To Go imediatamente, mesmo que o sistema não esteja precisando de mais memória. E a hora que você voltar para o Documents To Go, ele precisará ser aberto totalmente e recarregar na memória tudo que você estava fazendo. Isso vai consumir bastante processador e provavelmente vai até causar um lag enquanto você espera acontecer.
E processador consome bateria, portanto você vai aumentar o uso de bateria, ao invés de diminuir (como muitos pensam). Alias, sobre bateria, convém dizer que apps “guardadas” na memória não consomem mais bateria. Só se estiverem fazendo alguma coisa, mesmo que não visivelmente (quando seu Widget de clima atualiza os dados de meia em meia hora, por exemplo). Mas se eles estão rodando em background, é porque realmente estão fazendo alguma coisa e não deveriam ser encerrados.
Existem alguns Task Killers mais simples que não ficam rodando em background e tentando limpar tudo. Neste caso, eles servem apenas como atalho para que você encerre por conta algum processo. Menos mal, pois não vai ficar disputando com o sistema operacional o que deve sair da memória ou não. Mas mesmo assim você não vai precisar abrir ele e ir manualmente encerrando os apps. Afinal, já vimos que é desnecessário.
O Futuro dos Task Killers
O Android 2.2 ainda não é tão farto no Brasil, mas futuramente toda esta discussão será inútil. A partir do Android 2.2 (conhecido como Froyo), não é mais permitido que uma aplicação encerre outra. Ou seja, os Task Killers não conseguem mais funcionar como pretendiam. E isso é uma ótima notícia para garantir que ninguém mais cometa o erro de achar que está melhorando seu sistema mas no fim está usando algo desnecessário.
Resumo
O Android já faz tudo o que tem que fazer quando realmente precisa. Qualquer aplicação tentando fazer isso ao mesmo tempo vai:
- Entrar em conflito com o Android;
- Talvez causar comportamentos indesejados com isso;
- Gastar mais processador;
- Com isso, consumir mais bateria;
- Limpar a memória além do necessário, subutilizando o hardware;




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